quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Jornal atribui à CNBB carta política de Bispo sobre Dilma

A versão On line de alguns jornais do Brasil, dentre eles o jornal "O Estadão", juntamente com outros diversos blogs e sites atribuíram à CNBB, referência nacional da Igreja, texto político de um de seus bispos, em que falava em seu próprio nome. Tal texto, que o mesmo endereça aos fiéis de sua diocese e que, para estes, por força de autoridade pastoral, a carta tem um cunho inegável de destinatários, tem se passado para muitos - mesmo sem ter sido esta sua intenção  - um texto da CNBB. De qualquer modo, mesmo a estes, o bispo não ordena, mas faz um convite, a não votar na Candidata Dilma Roussef, expondo o que segundo seu julgamento pastoral viu ser pontos muito relevantes.

Esta notícia, de dom Luiz Gonzaga Bergonzini, foi reenviado viralmente para muitos via e-mail, e sempre assumido como CNBB. Mas a não ser no que foi explicado acima, está errado quanto a quem são os verdadeiros remetentes e destinatários.
Pode também, sem problema algum, ser utilizada para reflexão por todos os fiéis da Igreja, pois se trata de todo um aprofundamento feito pelo bispo. Define no texto um embasamento teológico para sua exortação à política,  fazendo então denúncias contundentes baseadas em fatos e jornais, e por fim chega a sua constatação e convite de preterir tal candidata.
 
A CNBB se pronunciou a respeito, para desfazer este engano:
Perguntado sobre a posição do bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que em artigo aconselhou as pessoas de sua diocese a não votarem na candidata Dilma, dom Geraldo esclareceu que esta posição é do bispo de Guarulhos.
“A CNBB respeita a posição do bispo de Guarulhos que é digno de toda consideração. Ele fez o que na sua consciência de pastor julgou que deveria fazer e está dentro de sua plena competência. Cada bispo, em sua diocese, tem absoluta liberdade para dar as orientações que ele julga que deve dar aos seus diocesanos. Como ele mesmo disse, a posição que ele expressava era sua, como orientação na sua diocese, e que não estava falando em nome da CNBB”, explicou dom Geraldo Magella, presidente da CNBB.

Para os (poucos) que ainda não conhecem a carta, a escrevemos abaixo, pode ser especialmente útil para reflexão da Igreja devido aos argumentos que utiliza, não fugindo de modo algum da fé ou da moral. Leve-se em conta não ser uma orientação à Igreja, mas apenas convite e recomendação, e que tem especial relevância - segundo Dom Geraldo - à Diocese de Guarulhos:
"Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus
"Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de "Deus" não seja manipulado ou usurpado por "César" e vice-versa.
"Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir-se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.
"Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.
"Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.
"Na condição de Bispo Diocesano, como responsável pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).
"Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais "liberações", independentemente do partido a que pertençam.
"Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.

(Dom Luiz Gonzaga Bergonzini)

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